Era uma vez, uma casa.
- Larissa Brasil
- 14 de abr. de 2021
- 2 min de leitura
"O silêncio se escorava com equilíbrio na madeira e nas pedras da Casa da Colina, e o que entrasse ali, entrava sozinho."
Shirley Jackson

O primeiro parágrafo do livro
"A Assombração da Casa da Colina" já nos remete a construção magistral do personagem principal do romance: a casa. Entre ângulos, quartos sinistros e ventos encanados, a história se desenrola abalando o psicológico de cada leitor, assim como o de Eleonor, a co-protagonista (sim, porque divide as páginas com a casa, haha). A autora descreve a casa e seus arredores pelos olhos de Eleonor, e, a cada página, nos transporta para dentro daquelas paredes antigas e tão mal faladas. Eu me apaixonei pela escrita da Shirley com esse livro e ela se tornou uma das minhas autoras favoritas. Se ainda não leu, arrume as malas e embarque num final de semana para a casa da colina, você pode sentir um pouco de medo, mas não vai se arrepender.

O último romance da Shirley, "Sempre Vivemos no Castelo", também tem uma propriedade como personagem importante, a mansão decadente dos Blackwoods. Nesse, acompanhamos Merricat, uma anti-heroína que nos conduz pela vida e dissabores da família que foi quase devastada por uma tragédia sinistra e que é hostilizada pela vila ao redor da mansão. Esse livro é sobre o passado, suas consequências e o lado sombrio da natureza humana. Khaterine Blackwood, aka Merricat, é magistral e já nas primeiras páginas você é tragado por ela e por seu senso crítico. Se ainda não leu, marque um chá das cinco com Merricat e Constance, mas um conselho de amiga: todo cuidado é pouco.

Shirley também escreveu contos, esse se chama 'A loteria" que causou reações negativas dos leitores em 1948, quando foi publicado no The New Yorker. O conto é sobre seguir cegamente tradições, não dá para falar muito porque é bem curtinho, mas vale a reflexão.

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